terça-feira, 2 de dezembro de 2008



De tudo ao meu amor serei atento

Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto

Que mesmo em face do maior encanto

Dele se encante mais meu pensamento.

Quero vivê-lo em cada vão momento

E em seu louvor hei de espalhar meu canto

E rir meu riso e derramar meu pranto

Ao seu pesar ou seu contentamento

E assim, quando mais tarde me procure

Quem sabe a morte, angústia de quem vive

Quem sabe a solidão, fim de quem ama

Eu possa me dizer do amor (que tive):

Que não seja imortal, posto que é chama

Mas que seja infinito enquanto dure.
Soneto de Fidelidade - Vinicius de Moraes

2 comentários:

Ester L. disse...

Sempre achei esse poema um dos mais lindos que existem! x)

Beijo!

ana disse...

amo esse poema *-*